Um pouco mais sobre as Crenças Limitantes

Antes de ler esse artigo, presumo que você já tenha uma ideia clara do que é uma crença limitante. Se ainda não tem certeza do significado do termo, por favor, dê uma olhada no meu primeiro artigo sobre o tema:

Como romper crenças limitantes com a EFT (Clique aqui)

As crenças, em si, são fáceis de serem mudadas, basta nossa atitude de pensar fora da caixa e aplicar técnicas energéticas (como a EFT) para ajudar a romper o padrão. O maior problema, no entanto, é identifica-las. Muitas estão tão inseridas em nossa identidade, que fazem parte de nossos hábitos de maneira inconsciente.

É fácil achar erro nos outros. Em nós mesmos, no entanto…

Para identificar uma crença (e nós temos inúmeras, sem exceção), o melhor é sempre ficar atento às desculpas, ou os porquês de nosso comportamento. Tente completar frases como:

  • “eu não consigo fazer isso porque…“ ou
  • “eu não posso ter isso porque…

O que vem a seguir é sempre uma crença limitante. E o ideal é, como eu chamo, entrar na redundância dos porquês. Por exemplo:

  • Eu estou desanimado(a).
  • Por quê?
  • Eu estou desanimado(a) porque eu não consegui aquela promoção.
  • Eu não consegui aquela promoção porque eu pisei na bola na hora da entrevista.
  • Eu pisei na bola na hora da entrevista porque eu nunca fui bom(boa) em argumentos.
  • Eu não sou bom(boa) em argumentos porque não tenho muita inteligência.
  • Eu não tenho muita inteligência porque é assim que eu me vejo e sempre me vi.
  • Eu sempre me vejo sem inteligência porque falavam isso de mim na escola.

(e aí pode-se continuar, em um looping eterno, como se fosse um cachorro mordendo seu próprio rabo, revirando-se nos mesmos conceitos)

 

É impressionante o quanto as crenças regem nossas vidas: dos conceitos centrais de, por exemplo, não ser inteligente ou já ser velho o bastante, até limitações corriqueiras como prefiro ficar em casa porque não quero encontrar tal pessoa ou é sempre tudo igual. E, lógico, haverá sempre uma razão condizente para provar o que pensamos.

Vale lembrar aqui que todas as crenças têm seu fundo de verdade, o que não as isenta de serem limitantes. É óbvio, também, que existem certos fatores reais na vida. Como, por exemplo, eu não posso comprar esse carro novo porque não tenho dinheiro para isso. Esse pode ser um fato, que é melhor respeitar para não enfrentar problemas futuros. Por outro lado, é muito provável que você não tenha dinheiro suficiente para esse carro devido a algumas crenças. Elas podem e devem ser rompidas, mas o que quero dizer é que não se deve desafiá-las (como comprar o carro assim mesmo, só para provar para si que não passa de uma crença). O ideal é romper as bases dessas crenças para que então se tenha condições favoráveis e assim ter dinheiro para comprar o tal do carro. Mas, antes de tudo, deve-se respeitar o fato de não ter dinheiro.

É importante nesse momento entender a diferença entre os fatos e os seus conceitos sobre eles. E existe sempre confusão a esse respeito. Dizer, por exemplo, que ninguém me respeita, é uma grande crença, pois apesar de parecer um fato, caso você ache que comprovou isso em “todos” os momentos, ainda assim não deixa de ser sua percepção.

Vamos à prática?

Escolha um problema que esteja lhe afetando. Comece então a fazer a redundância dos porquês.

É importante você repetir as frases várias vezes, e deixar as justificativas dos porquês fluírem natural e rapidamente, sem julgá-las. É importante ir bem a fundo nesses porquês. Só pare no momento que já esgotou tudo. Mas não se deixe impedir pelo seu lado racional.

Somente depois, em uma análise, você pode ver o quanto isso está preso a crenças limitantes ou realmente é um fato.

Com a lista em mãos, repita-a novamente em voz alta, e tente avaliar (dando nota de 0 a 10) o quanto de verdade isso é para você. Dê uma nota para cada item da lista, e não se preocupe se a nota está certa ou não, apenas escreva a primeira nota que aparecer em sua mente, pois de maneira geral ela é sempre correta.

Note que crenças limitantes e medo são praticamente sinônimos. Portanto, será inevitável que você irá se deparar com o medo de seguir adiante no processo. Caso seja doloroso demais, talvez seja melhor você buscar ajuda de alguém experiente nesse momento.

O importante, nesse exercício da redundância dos porquês, é tentar chegar sempre mais ao fundo. Por exemplo, talvez você não goste de vida social. Isso pode ser interpretado como um fato, e você se acomodar com isso. Afinal, gosto é gosto, e você pode ficar em paz com a sua natureza. No entanto, se você não estiver satisfeito(a) com isso, desejando para si uma vida social melhor, então você deve ir mais ao fundo nos porquês. Talvez você chegue a se lembrar de eventos traumáticos que o(a) fizeram rejeitar a exposição a uma vida social intensa, por exemplo.

É natural encontrar inúmeras crenças. O importante é não se desesperar. Na EFT existe a analogia dos pés da mesa. O problema, em si, é o tampo da mesa, que só existe por ter inúmeros pés (pode ser muito mais do que quatro pés). É muito provável que, acabando com algumas crenças em relação ao problema, a mesa toda desabe. Isso porque você se conscientiza de que todas essas crenças não têm fundamento.

O importante, agora, tendo a lista das crenças em mãos, é fazer a EFT para elas. E aí entra o segredo da EFT: não adianta falar apenas as frases, se elas não repercutem em você. Tente falar as frases com sentimento.

Como assim?

A regra da EFT é buscar o foco em uma das três áreas (ou em duas ou nas três, de for o caso):

Sintomas:

Veja se, ao falar da crença, você percebe algum sinal físico. Por exemplo, é possível sentir o corpo tremer, a garganta travar, etc. Nisso, você deve fazer a EFT com esse foco: “Mesmo que, ao pensar nessa minha crença de…, eu fique com a garganta travada, eu ainda assim me amo e me aceito.” E note se o sintoma físico muda ou desaparece. É provável que a carga emocional ou energética mude completamente com isso.

Sentimentos:

Ao pensar na crença, você sente o quê? E aí fazer a EFT focando nesse sentimento: “Mesmo que eu me sinta assim, eu me amo e me aceito.” Faça algumas rodadas, até sentir que a sensação mudou, ou desapareceu.

Eventos na memória:

Ao pensar na crença, veja se vem alguma lembrança. Esse é, de modo geral, o momento mais doloroso, pois pode envolver memórias traumáticas: para lidar com isso, tente focar na memória do ocorrido, com o máximo de detalhes possível. Detalhes como onde foi, como ocorreu, o som, a luz, os gestos do momento, etc. E então falar: “Mesmo que naquele dia, eu tenha sentido que eu sou desqualificado(a), porque…, eu ainda assim me aceito profundamente. E fazer a EFT até sentir alívio ao pensar novamente sobre o caso.

Persistência é a chave do sucesso. Faça a EFT até obter uma mudança de percepção, ou do peso do sentimento. É possível, também, que uma crença puxe outra que não estava perceptível antes. Não desanime.

No nosso exemplo dado acima, da pessoa estar desanimada, a EFT deveria ocorrer assim (sugestão minha):

A lista da redundância dos porquês é esta:

  • Eu estou desanimado(a).
  • Por quê?
  • Eu estou desanimado(a) porque eu não consegui aquela promoção.
  • Eu não consegui aquela promoção porque eu pisei na bola na hora da entrevista.
  • Eu pisei na bola na hora da entrevista porque eu nunca fui bom(boa) em argumentos.
  • Eu não sou bom(boa) em argumentos porque não tenho muita inteligência.
  • Eu não tenho muita inteligência porque é assim que eu me vejo e sempre me vi.
  • Eu sempre me vejo sem inteligência porque falavam isso de mim na escola.

Para cada um desses itens, é possível fazer toda uma série de EFT:

  1. Faça a EFT para a sensação do desânimo, até ficar mais relaxado(a).
  2. Depois, para a lembrança do momento que não conseguiu a promoção (faça para o evento, faça para o sentimento do momento, para o sentimento de depois, etc.)
  3. EFT para a falta de compaixão consigo em dizer que pisou na bola na hora da entrevista, até conseguir se desculpar pelo ocorrido.
  4. EFT para a crença de que nunca foi bom(boa) em argumentos (nota: é possível que nesse ponto vá surgir algumas lembranças positivas de que, na verdade, você já se saiu bem em argumentos, e aí será possível derrubar essa crença)
  5. EFT para a crença de que você não tem inteligência (algum sintoma físico? Sentimentos a respeito? Lembranças que comprovem que você não tem inteligência? Alguém lhe falou isso?)
  6. EFT para o fato de você sempre se ver como pessoa sem inteligência (o mesmo do item acima)
  7. EFT para a lembrança do que comentavam sobre você na escola.

 

Desejo todo o bom resultado no seu empenho a criar um novo eu. Parabéns.

 

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